Ana Farinha
É triste constatar que Lagos está entregue a uma corja cuja capacidade para gerir instituições é nula.
As mesmas caras aparecem em todo o lado, fazendo com que a sua incompetência seja mais notória.
Infelizmente, tenho convivido com a realidade da Santa Casa, na sua versão mais chique: o Lar Rainha D. Leonor.
Um sem número de idosos, sentados em cadeiras, cabeças baixas, como que isolados da realidade.
Na verdade, alguns são contemplados com algumas atividades: ginástica, bingo, missa, terço, alguns passeios, palestras na CML...
O resto do tempo é passado em silêncio (devem ser períodos para introspecção ou para se redimirem dos pecados).
Passando aos factos:
Distribuir os medicamentos pelos utentes é uma tarefa dificil; é sempre uma altura difícil e complicada pois os idosos tomam muitos medicamentos. Mesmo com o nome dos utentes nas caixas, volta e meia há trocas e também se torna difícil perceber que a caixa está vazia e é preciso mandá-la para casa para que possa ser carregada.
As refeições também devem ser um motivo de orgulho da instituição.
Quem come tem que sujeitar-se à boa disposição ou não de algumas senhoras que lá fazem serviço.
- Vamos a comer que isto é de borla;
- Come sopa, não come mais nada;
- Só tenho ordem para dar 3 carapaus alimados (mas eu quero 4- e são servidos 2 carapaus e meio)
- Frequentemente, o prato de sopa serve para a sopa e para o segundo prato;
- A sobremesa não tem direito a talheres;
- Uma pessoa descasca a fruta e depois não comem (sem perceberem que fruta dura é difícil de mastigar quando os idosos têm poucos dentes)
e ainda
- Não come e depois vai dizer que somos nós que não damos.
Estes são apenas alguns casos que já presenciei para além dos gritos dados para as pessoas se despacharem a comer.
QUERO SUBLINHAR QUE ESTAS MINHAS CONSIDERAÇÕES NÃO SE APLICAM A TODAS AS FUNCIONÁRIAS. HÁ UM GRUPO QUE É ATENCIOSO COM OS IDOSOS, TRATAM-NOS COM CARINHO, ATENÇÃO E SIMPATIA. FAZEM O DURO TRABALHO COM ÉTICA E RESPEITO PELOS MAIS VELHOS COMO É DEVER DOS MAIS NOVOS POIS, PARA A VELHICE TODOS CAMINHAMOS E NÃO SABEMOS SE CHEGAREMOS À IDADE DE MUITOS DOS QUE LÁ ESTÃO QUE JÁ TÊM MAIS DE 90 ANOS.
O sr Provedor e seus companheiros de jornada andam por ali mas, tirando as reuniões para chorarem a dizer que não há dinheiro, não os vejo fazer mais nada.
Consta que durante a noite as coisas também correm mal para os idosos que vivem no lar. Falta de controlo da diabetes, idosos que caem da cama abaixo e até quem venha de cadeira de rodas escada abaixo, porque alguém se esqueceu de fechar a porta de proteção.
O lar Rainha D. Leonor acaba por ser um embuste. A maioria das pessoas sofre de demência : onde estão os médicos, enfermeiros e psicólogos para atenderem às necessidades destes utentes? Sim, porque as funcionárias não têm habilitação, nem são obrigadas a ter, para tratar com dignidade estas pessoas. As funcionárias não têm formação para lidar com idosos. Onde estão as formações que a instituição
é obrigada a dar aos seus funcionários? Não há, não há dinheiro. Então, o que aconteceu ao dinheiro deixado pelo antigo provedor?
Uma instituição que se faz pagar muito bem por ter lá as pessoas e não lhes dá um tratamento à altura do que elas pagam não pode nunca queixar-se que não tem dinheiro. Se não têm algo está muito errado. É que há pessoas que ainda sabem fazer contas.
Sr. Provedor, se não é capaz de gerir a instituição, o melhor é pôr o seu lugar à disposição de quem realmente queira gerir a instituição, sem interesses políticos ou de dar nas vistas nos corredores da fama lacobrigenses.
Os nossos idosos, cuja vida por vezes foi madrasta, têm o direito a usufruir de um fim de vida rodeados por pessoas que os acarinhem, que cuidem deles, que os mimem, que falem com eles, ouçam as suas histórias, QUE OS FAÇAM SENTIR IMPORTANTES.
(vamos lá a ver as penalizações que advirão deste meu comentário. Mas, já estava muito entupida e, à minha frente não admito ver ninguém tratar mal um idoso. E se souber que são mal tratados, nas minhas costas, voltarei aqui e voltarei a escrever).
Civismo é o que se quer, respeito pelos direitos dos idosos é o mínimo que pode ser exigido. Quem está num lugar destes não chega o suficiente, tem que ser EXCELENTE.
Cada ruga conta a história de uma vida.
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